Pretérito Imperfeito

"Não fumo, não bebo e não cheiro. 
Só minto um pouco." 
(Tim Maia) 

Por fora pode parecer até indiferença com o que me fere, mas bem aqui dentro de mim é apenas o costume de quem sabe que tudo sempre muda – novamente embora todos os dias eu nasça, morra e renasça numa mesma vida na qual eu acordo com a mesma cara amassada, o mesmo nome e a mesma miopia. Sou apenas eu o tempo inteiro e vou girando em torno da minha própria vida de sempre. Vida pretérita
Vou e levo indevidamente na memória um punhal que sempre que começo a lembrar na vida que tinha antes de ser o que sou hoje, me corta, me rasga. "Não deveria ter deixado aquilo acontecer - novamente...". O punhal que corta a minha alma é o remorso de coisas que ás vezes nem ao menos fiz. Memória pretérita.
O meu estado de vida parece com um ritmo qualquer que não danço há tempos, como o gosto de uma bebida qualquer que não bebo mais, e na forma de cinzeiro para um cigarro qualquer que já não acendo mais. Apaguei. Encruou. Passou – novamente, mas o gosto ruim sempre volta. Estado pretérito.
Não há mais nenhum presente onde eu possa ficar.


Krol Rice Chacon

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