Estranha Utopia


Aqui, entre as quatro paredes da minha mente tu deslizas como gotas pela minha pele como se eu estivesse entrega a uma tempestade.
E te sinto, sem que me toques, como se fosses chuva acariciando meu corpo. Me cantas ao ouvido, e acalmas minha alma como se de música fosses feito, moves-se em mim, como se fosses o ritmo de uma dança mística...

Ah, e eu desejo-te... E por tanto desejo surjes logo á minha frente como não mais que uma ESTRANHA utopia, como um sonho realizado, como um poema cravado, ou como uma aposta ganha. 
Apareces-me como uma visão, e eu agarro-me febril ao corpo que minha mente criou, e abrigo-me entre os relevos do seu rosto, e aspiro os aromas que pertencem unicamente á ti, vou criando-te - homem - diante de mim, moldando com minhas mãos meu vazio, que conhecem de cor as formas da tua sombra, contornos que apenas eu sei, olhares que apenas eu vejo.

Dou-te sons de voz e respiração com decibéis inaudíveis, que apenas eu ouço. E eu, agora, desejo-te inda mais como o poeta concebe com dor e prazer o seu desejado poema, ou como só um criador pode desejar a sua criação...


Krol Rice

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