Pensamentos de sete minutos de fascínio (III)

Quando nos aproximamos de um corpo imóvel, este corpo aproxima-se de nós. É algo da física. Mas não era impressão: aquele físico realmente aproximava-se de mim. Eu bem podia imaginar seu intento. Haviam semanas que mal nos falávamos, e era socialmente aceito que os ex-alguma coisa se tratassem desse modo.
Ele me olha de tal forma... Parece que vai me devorar! Temo.
Eu já podia imaginar seu discurso de recém-amigo, cheio de formalidade cobrindo todo aquele sarcasmo que o protegia de mim, o sarcasmo que ele usou para acabar comigo em todos os sentidos que este verbo pode ter... Já sei: Ele será frio e imbatível. Eu serei fria e calculista, e a primeira coisa que calculei foi o tempo para correr daqui antes que minhas lágrimas alcançassem meu rosto. Tive todos esses receios e planos enquanto enquanto nos chegávamos... E mesmo assim fui. Sempre houve um estranho magnetismo entre esses olhos e meu corpo, e, sinceramente é algo inexplicável, ou até explicável para a física: a atração entre um imã e seu metal perfeito.
Chegamos.
Foram exatos sete segundos entre um sorriso hipnotizante e sua inclinação para um abraço ofensivo. “Não, por favor, não...” Meus pensamentos gemeram mas não me deram voz, e o que foi sucedendo após, não requeria nada do meu pouco alto controle. “Que homem é esse meu Deus?” Subitamente somem pessoas, bebidas, festa, meu bom senso, e o que eu ouço é só o pouco som da batida de uma música ao longe. “Onde estamos meu Deus?” Como se essa fosse a hora de se pensar em Deus ou em qualquer outra coisa.
Ele tão calado, totalmente desarmado de suas ironias e apatias, com seus olhos mergulhados nos meus a mil pés de profundidade. Pra ser honesta prefiro-o assim- calado – ou quase, já que sua respiração por pouco de tal elevada faltam articular sílabas. Exagero. Mas não exagero o som do meu coração martelando nos meus ouvidos. Será que ele pode ouvir? Idiotice. Não ouso falar. Ele tão calado... Respira-me como se eu fosse seu ar particular, ou como se quisesse ver se meu cheiro havia sido adulterado por outro. -“Você ainda tem o mesmo cheiro...” Resolveu falar? Mas não respondo. Nem as palavras que ensaiei enquanto colocava propositalmente o seu perfume preferido saiam de mim como esse aroma. Ele me deixava muda com aquele comportamento súbito, parecendo com um viciado com semanas de abstinência. Eu tremia a cada aproximação do rosto dele, eu era a sua droga ideal, ele me desejava, eu agora tinha certeza disso. Isso me revoltava.
Como ou porque aquele idiota tinha me entregado para outro de bandeja? Eu tinha que pensar no meu ódio, na minha mágoa para ter forças de fugir daqui, de ignorar a tentativa do seu beijo. Inconscientemente, cravo minhas unhas em seu pescoço. “Ah, droga, como o desejo...” Cada traçado dele sinto passar contornando minhas formas, a sua digital em cada vírgula de minha pele vai apagando vestígios de um visitante recente, alguém que ele mesmo abandonou a porta aberta para que entrasse. Mas agora isso não importa. Traço meu toque pela sua carne. Será que ele ainda tem o mesmo gosto? Sou louca. Abandono minha mão em seu abdômem esperando que a força da gravidade a empurre para baixo. Ele treme e arfa sutilmente. É sensitivo: Ele pressente as minhas intenções...

Krol Rice

Comentários

Juju disse…
Puta que pariu!!!!Vou ter que me inspirar demais p/ fazer a continuação!!!Caralho doido!!!!Sem palavras!
danistar disse…
Puta que pariu!!!!Caralho doido!!!!Sem palavras! [2]

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